[23.3.05] Quer saber? Tá mais que na hora de eu cuidar da minha própria vida... E é isso que eu vou fazer. [ Beijo nus minino. ]
Sábado, Fevereiro 19, 2005
[19.2.05] Exposição contínua aos refletores faz mal à pele, ao ego e ao caráter...
Nem tanto pelas luzes da ribalta, mas pela crença nelas. Assim como mariposas que ficam alucinadas, rodeando refletores até morrerem queimadas, seres humanos também se queimam com luzes artificiais.
Luz boa é luz indireta, natural, que aquece confortavelmente e mantém-se constante. Esse negócio de querer o holofote direcionado para si, ao som de aplausos initerruptos é que acaba com a vida de qualquer um.
Exposição direta, esse é o problema. E o foda é que ainda não inventaram o filtro solar contra a exposição na mídia. Logo, o melhor a fazer é resguardar-se, ficar na coxia, longe do centro das atenções.
Casamento de estrelas não dura por isso: é tanta gente na cama que o casal não sabe que caras e bocas deve fazer, ou para que câmera deve olhar na hora do orgasmo. Técnicos de luz e som se revezam com o garoto do cabo, o operador de câmera e o Pedro Bial. Ali, constantemente, narrando cada segundo da vida privada, dê-se ela na cama, na cozinha, no trabalho... ou na privada.
Dizem que 80% de inúteis votaram numa enquete dizendo que o novo mega-casal-de-astros, aquele futeboleiro e a modelo da boca grande, não vão ser felizes até a morte os pegarem. Agora, depois desse sugestionamento maciço é que não têm mesmo a menor chance de serem felizes nem até o final desta semana. 80% de inúteis que certamente também morrem de medo de morrer sós. Mas não é bom pensar nisso... é melhor malhar os outros. 80% de inúteis que apontam o dedo pro alvo sob os refletores e ignoram os outros 3 dedos apontados para si mesmos. Culpa dos refletores. E dos 80% de inúteis. E do mega-casal que se submete a isso. Não que eu torça para esse casal: assim como eu não existo para eles, faço questão de ignorar tudo o que não me diz respeito. Não por alienação, mas justamente por questão de respeito. O meu, é bom dizer.
Outro casal conhecido do público teve lá suas desavenças, mas conseguiu manter certa dignidade (embora o casamento não tenha sido mantido), ao evitarem os refletores: Marieta e Chico. Gosto da Marieta. Gosto inexplicavelmente dela. Não pelo manejo do casamento por ela, já que não costumo acompanhar essas frivolidades midiáticas, mas pela discrição exemplar que todo mundo deveria ter, fosse estrela global ou não.O casamento foi prás cucuias, mas o auto-respeito não. E entre um casamento de fachada e um auto-respeito verdadeiro, não penso duas vezes: fico comigo mesma e mais ninguém. Afinal, eu me vi nascer, vou me ver morrer... estou tão presente nos meus melhores e piores momentos...
Todo mundo adora meter o bedelho na vida alheia. E adora as luzes da ribalta. Só não gosta quando vira alvo de crítica e chacota. Culpa da mídia? Não. Culpa de quem se expõe. Tá na chuva é para se molhar. Não gosto de chuva artificial. Aliás, não gosto de nada que seja artificial. E isso inclui chuva, luz e pessoas.
Como se diz por aí, o pior idiota é o que discute com outro. Mas, tenho cá para mim, que o pior idiota mesmo é o que discute com sombras. E seres artificiais que não se assumem, que se infiltram num campo remetente coletivo e atacam quem está sob os holofotes não passam disso: sombras. Não me presto ao papel de sombra - novamente: já que não costumo acompanhar essas frivolidades midiáticas; e não me presto ao papel de idiota, qual seja, o de discutir com sombras.
Elegantemente falando, defeco e me locomovo para tanta luz artificial e para tanta sombra projetada em volta. No mais, com licença... tenho a minha vida a ser vivida e minha atenção a ser dividida entre os meus escolhidos. O resto é planta carnívora, que a gente extermina com falta de luz, de chuva e de atenção.
[ Beijo nus minino. ]
Quinta-feira, Dezembro 30, 2004
[30.12.04] Pela primeira vez em muito tempo não quero uma festa de arromba no réveillon. Quero um sossego meio-meditativo-meio-contemplativo. Não sei o que há, mas quero a paz, a tranqüilidade de pensar em meus amigos e saber que está tudo bem, cada um lá, dando continuidade à própria vida, colecionando histórias a serem trocadas em mesas de bares ou reuniões caseiras ao longo dos pró×imos anos.
Cá dentro, quero a todos e desejo as melhores vibrações para cada um em especial. Beijos tenros e etéreos que se transformarão em leves e imperceptíveis cócegas levadas pelo vento na virada do ano. Uma brisa suave, ao lado do rosto, enviada para cada um, seja onde estiverem: BH, Lavras Novas, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Norte, Bahia, Dinamarca, França, Mé×ico, Canadá, Inglaterra... ou do outro lado desta dimensão... Aquela silenciosa que guarda meus ancestrais, as amizades interrompidas antes do tempo e os mestres que se sacrificaram pelo aprendizado dos que ficaram do lado de cá.
Mais um ano acaba. O que me remete, invariavelmente, aos pensamentos fugazes de que o tempo é implacável e não dá para adiar a felicidade.
Não é hora para discussões... Queria poder dizer que não as levarei comigo para 2005. Mas isso é impossível. Tenho contas a acertar. As vezes, as discussões (que tanto odeio) são necessárias para mostrarmos nosso ponto de vista, nossa necessidade de afeto que não vem sendo correspondida e que, portanto, não pode ser cobrado em contrapartida. Discussões incomodam. Mas incomoda muito mais assistir calado ao enterro em vida de uma personalidade que se respeitou pela vida toda... Daqueles que por anos foram modelo de vida e agora fazem questão de renegar o próprio brilho e comportar-se como uma criatura qualquer, opaca e covarde.
Pior do que a discussão é ser cúmplice da morte em vida de nossos heróis.
[ Beijo nus minino. ]
Domingo, Dezembro 26, 2004
[26.12.04] Maturidade. Uns dizem que ela vêm aos 30, outros, que vêm em ciclos saturninos, de 7 em 7 anos. Os mais sábios dizem que independem da idade, ela viria com a e×periência de vida. E que e×periência pode ter alguém que se tranca dentro de casa, que se nega a viver, se veio a este mundo justamente para isso? Os que dizem que a tal maturidade vem com o tempo acreditam que ela chega de mansinho, como quem não quer nada e vai se apoderando dos aposentos do nosso ser.
Não acredito nisso! Maturidade pode chegar de supetão. Sem aviso prévio, assim como uma cobrança que a gente sabe que um dia vem, mas acha que dá prá empurrar um pouco mais com a barriga. Não dá. Um dia ela chega, cruel, vociferante e monta no nosso ombro. E ninguém mais a tira de lá.
Maturidade não se aprende em casa, no seio da família. Aliás, tenho cá para mim que, neste ponto, a família até atrapalha. Maturidade a gente aprende levando porrada. E, infelizmente, a família só pode assistir de longe, en×ugar algumas lágrimas de comiseração e receber o iniciado de volta, para curar as feridas do moribundo e prepará-lo para outra.
Maturidade é ver na prática como funciona a teoria que os velhos nos passaram. Mas, todo mundo sabe que na prática a teoria é outra...
[ Beijo nus minino. ]
Sábado, Dezembro 04, 2004
[4.12.04] Diálogos com a macaca... porque hoje a primata acordou comigo!
Diálogo 1:
A mãe nem dormiu de preocupação pelo sumiço do filho, já homem, que havia saído para o "cinema" na tarde anterior, só retornando de madrugada. Pela manhã:
A filha: Viu que não precisava preocupar? Já voltou... Tá lá dormindo.
A mãe: Mas você viu a que horas?
A filha: Eu não. E daí? Deixa ele namorar, mãe!
A mãe: Até deixou de fazer exercícios físicos hoje de manhã...
A filha (em voz baixa e saindo à francesa): Não precisava... aposto que se exercitou o suficiente durante a noite toda...
Diálogo 2:
A mãe e a filha, ainda sobre o sumiço do rapaz...
A filha: Ah, mãe! A gente precisa namorar! E quando digo "a gente" refiro-me à gente desta casa... não só eu e meu irmão, mas você também! Alguém aqui tem que desencalhar! Por que você não arruma um namorado?
A mãe: hahaha, minha filha... vê lá se eu vou arrumar homem nessa altura do campeonato...
A filha: Que que tem? Você tá enxutona e só tem 60.
A mãe: Não, não quero mais arrumar sarna prá coçar, não...
A filha: Pois eu quero. E, sinto muito, mas não vou seguir seu modelo. Quando eu ficar velha, lá pelos 80, não vou ficar em casa brincando com os netinhos... prefiro ficar na rua, brincando com os vovozinhos.
Não, eu não disse isso, mas aaaah, como eu gostaria de ter dito!
O que a coerção social não faz com nosso instinto primata!
[ Beijo nus minino. ]
Sábado, Novembro 20, 2004
[20.11.04] Ser feliz e não saber,
Rodar o mundo e perceber
Que tudo o que se buscava
Sempre esteve ao alcance,
Tão perto de si
A ponto de não se distinguir
A necessidade e o desejo.
O homem erra
Por ruas, avenidas e cidades,
Carregando um fardo de posses ilusórias
Que o aprisionam na falsa idéia de liberdade...
E errante retorna
Destituido do lixo pretérito
Àquilo que nunca pertenceu nem a ele nem a ninguém:
Almas não cabem em caixões...
Deve ser o fim do ano chegando. Ou talvez uma conjunção astrológica. Quem sabe a emissão de gases poluentes na atmosfera... Ou seriam efeitos do verão? Bem, o caso é que todos andam muito nostálgicos ultimamente. Não fujo à regra. Finalmente, após alguns anos de "maré braba", ando revendo esse turbilhão que representou a minha passagem pela França. Quanta coisa aprendi! Acho que esse tipo de aprendizado deve ser tão doloroso para que a gente não se esqueça nunca de certas coisas. Não se esquecer de observar as coisas do dia-a-dia com os olhos e a curiosidade de uma criança. Qual foi a última vez que você olhou para o céu? Olha, a casa da esquina é alaranjada! Já reparou aquela velha sentada ao sol, todas as manhãs, em frente à janela do seu apartamento? O que ela quer? O que ela ainda espera da vida? A gente só dá valor ao que tem depois que perde. E isso serve para tudo: para o parente que tá sempre "enchendo o saco", para o amigo que só liga na hora imprópria, etc. Li num lugar qualquer que a gente deveria tratar as pessoas próximas (os parentes, o marido, a mulher etc) como a gente trata o melhor amigo, porque afinal é isso que eles são. Realmente, acho que deveríamos nos tratar com mais paciência e ternura do que tratamos os conhecidos... afinal, não são com eles que dividimos a cama, as despesas, os momentos bons e as crises. É uma questão de justiça poética e de percepção... Perceber coisas e pessoas que estão tão perto de nós que já as damos por garantidas. É preciso percebê-las e sentí-las. É preciso nutrí-las com atenção e agradecer-lhes a existência. Elas podem não estar lá quando esta frase terminar. Ninguém pode garantir a continuidade daquilo que não lhe pertence. É tão inútil acreditar que se tem o poder de controlar o futuro, os acontecimentos e, sobretudo, as pessoas. Deixar-se ir, como a folha ao vento, é tão simples e difícil quanto encantar-se com o trajeto. O homem erra, a folha volteia.
[ Beijo nus minino. ]
Terça-feira, Novembro 16, 2004
[16.11.04] Ouvi isso ontem... é barango, mas é tão bom!
Agora eu sei Zero e Paulo Ricardo
Há muito tempo eu ouvi dizer
Que um homem vinha para nos mostrar
Que todo mundo é bom e que ninguém é tão ruim
O tempo voa e agora eu sei
Que só quiseram me enganar
Tem gente boa que me fez sofrer
Tem gente boa que me faz chora (me faz chorar)
Agora eu sei, posso te contar
Não acredite se ouvir também
Que alguém te ame, sem você não consegue viver
Quem vive mente mesmo sem querer
E fere o outro não pelo prazer
Mas pela evidente razão - sobreviver
Não é preciso mais ignorar
Que quem me ama me faz mal demais
Mas Ainda cedo para saber se isso é ruim ou se é muito bom
O tempo voa e agora eu sei
Que só quiseram me enganar
Tem gente boa que me fez sofrer
Tem gente boa que me faz chora (me faz chorar)
Quem vê seu rosto só pensa no bem
Que você pode fazer a quem
Tiver a chance de te possuir
Mal sabe ele como que é triste ter
Amor demais sem nada receber
Que possa compensar o que isso traz de dor